José Gomes Ferreira nos corredores da corrupção

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É um percurso assombroso, o do homem que hoje “entrevistou” o primeiro-ministro. Poucos terão notado que, em Outubro de 2012, o diretor adjunto da SIC foi pago para ir entrevistar um concorrente à compra da ANA. Foi uma viagem patrocinada à Argentina que permitiu essa “emissão especial” do programa Negócios da Semana. O potencial cliente pagava assim a um jornalista e editor de economia, garantindo tempo de antena gratuito numa estação de televisão.

Nesse mesmo dia, era transmitida uma outra entrevista, desta feita encomendada por eventuais compradores colombianos da TAP.

Estes Negócios da Semana com a América Latina viriam a penalizar a percepção pública que os espectadores mais intervenientes nas Redes Sociais tinham de JGF, mas não afectaram a sua fabulosa ascensão ao poder da comunicação social.

Gomes Ferreira tem passado entre os pingos da chuva quando se discute o envolvimento dos grandes interesses financeiros e os jornalistas, especialmente aqueles que têm responsabilidades editoriais. Apresentara-se ao país como o paladino contra as PPP, mostrando-se denunciador das más práticas e dos negócios ruinosos. Na verdade, limitava-se a debitar as contas manipuladas pela então oposição liderada por Passos Coelho. Assim que a direita chegou ao poder, o interesse de JGF foi invertido. Esqueceu as “boas práticas” e passou a defender os grandes escândalos que conduziram ao desmembramento e ruptura do tecido económico português.

Foi para muitos uma surpresa que JGF tenha admitido numa entrevista que não era economista: até então exibia-se como grande especialista em assuntos económicos, embora sejam publicamente conhecidas as suas “fontes”. Em Julho de 2012, uma notícia assombrava a comissão de inquérito parlamentar às PPP. Num protesto raro em democracia, os próprios deputados do PSD queixavam-se que o guião das perguntas dos deputados era enviada pelo coordenador da bancada, Mendes Bota, a dois jornalistas (um deles JGF) e um comentador (Marques Mendes). Perante a denúncia do deputado social-democrata Virgílio Macedo, Bota respondeu com o habitual cinismo dos políticos de carreira: tratou-se de um lapso motivado pelo automatismo informático, ironizou.

Ao mesmo tempo que combatia o anterior governo PS, promovia figuras de segunda, detratores do sistema e dos políticos, verdadeiros Robin dos Bosques de trusses e que viria a culminar com a candidatura de ambos (!) à presidência da república. Sim, foi no Negócios da Semana que Henrique Neto e Paulo Morais tiveram os seus cinco minutos de fama, aliás repetidos várias vezes, catapultando-os para uma vertiginosa campanha que o povo castigou, consagrando-lhes o antepenúltimo e penúltimo lugar, atrás de Vitorino Silva, o calceteiro de Rãs.

Durante o consulado de Passos Coelho, JGF viria a decepcionar muitos portugueses que achavam que estava de boa fé, tal foi a defesa acérrima da austeridade, dos cortes das pensões e das remunerações e, sobretudo, na sua militância primária à delapidação do património produtivo português!

Foi, na comunicação social, o mentor das privatizações ruinosas da TAP, da ANA, da EDP e dos CTT. Empresas da esfera pública que não custavam dinheiro ao erário público, pelo contrário, no caso das três últimas distribuíam dividendos ao acionista, trocadas por patacas a grandes corporações financeiras internacionais. Deu tempo de antena, numa lógica de entrevistador passivo, a todos, todos os dirigentes políticos e empresarias que se empenharam nesses grandes negócios para os privados: Ministros, Secretários de Estado, Administradores e outros “especialistas”. Todos os que defenderam a calamidade das privatizações dos últimos anos, tiveram a bênção, o apoio e a anuência de JGF.

Com os políticos de esquerda, JGF não esconde o seu radicalismo na defesa dos grandes interesses corporativos que representa. Na entrevista de hoje, à entrada da SIC, António Costa admitia: “com ele nunca se trata de uma entrevista, mas sim um frente-a-frente”. JGF marchará com todas as forças contra a maioria de esquerda, como hoje ficou bem patente nas “perguntas” (na verdade afirmações) sobre o estado economia, da situação política e da situação da banca, onde não escondeu o fervoroso apoio à venda imediata do Novo Banco, de acordo com o seu “amigo” e mentor desse negócio, seu regular ex-convidado em regime quase semanal no Negócios e ex-secretário do governo PaF, Sérgio Monteiro.

Surpresas não houve no fundamentalismo com que defende o financiamento público do ensino privado. Nunca escondeu a sua ideologia neoliberal, como na longa entrevista que concedeu a Nilton (5 para a meia-noite), em Novembro de 2012. JGF desmontou as erradas políticas económico-financeiras dos EUA de Obama, contrastando com o “excelente” exemplo da extraordinária orientação política de Angela Merkel. Os resultados previstos por este visionário estão à vista dos povos americano e europeu.

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28 thoughts on “José Gomes Ferreira nos corredores da corrupção

  1. Este senhor se tivesse um pingo de vergonha devia era estar calado que veja a merda que os seus amigos do Paf fizeram venderam aos chineses e franceses todas a empresas públicas que davam lucros, quanto aos colégios privadas as escolas públicas cortaram tudo o que puder em quanto as escolas privadas aumentaram 10% nos seus contratos. José Gomes Ferreira tenha vergonha, E eu até tenho vergonha de ter um apelido do meu nome igual ao seu.

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    1. Pois… ele certamente teria muito mais vergonha de ter um nome igual ao seu, só que preferirá certamente ignorá-lo que é o que o senhor merece. Pelo tipo de linguagem que utiliza facilmente se verifica a sua pouca credibilidade. Tenha cuidado porque se morde a língua pode morrer envenenado…

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      1. Já se chegou ao cumulo de fazer ameaças de morte? Vc devia de ter vergonha do que diz e do que defende! Sabemos bem que a SIC é do Pinto Balsemão e como tal um fundador do PSD, como tal as suas gentes tem que fazer o frete de agradar á sua entidade patronal e fazer o favor de intoxicar o zé povinho com a mesma técnica que fazia Salazar e as suas gentes pidescas, já não falando do lápis azul que certamente essa gente sente no corpo ao editar noticias que tem que ser sempre a doutrina Fascista de um regime explorador e capitalista!
        Veja as reportagens que são feitas que encharcam os seus noticiários e programas só com noticias de um tal que já nem é 1º ministro, mas atua como tal e tem horas de projeção nos horários nobres só para fazer a lavagem ao celebro das pessoas ! Era isso que fazia Salazar e estas gentes seguem a sua doutrina!!!!

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    2. JGF não tem qualquer ideologia…não é economista…é apenas um pobre diabo…um sobrevivente.
      O conselho que deu aos telespectadores para abrirem contas no BES porque era um banco sólido.. vai ficar entre os momentos mais ridiculos dos anais da TV.
      Coitado1 Não merece tanta prosa!

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  2. É como aquela num programa dos dele, ja ha uns anos, a falar de arrendamento como melhor opçao (para a classe media arrendar aos grande interesse financeios claro) ao cair-lhe por distraçao a boca para a verdade ” ter casa própria é melhor que arrendada” ao dar pela gafe em e relaçao ao que estava a defender disse: ‘Ai o que dirao os grandes grupos financeiros que me estao a ouvir não me vao perdoar” e pôs a mao a frente da boca afundando-se na cadeira

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  3. Ver e ouvir este senhor “jornalista”, a soldo de interesses ocultos, é um acto de comiseração e masoquismo. Não é mais do que se sujeitar ao obscurantismo, ao tratamento como imbecil e à negação de qualquer espírito autónomo e crítico.
    Concordo, o frente a frente com A. Costa foi ontem. Quem esperava uma entrevista enganou-se pois, como em determinado momento o entrevistado teve que dizer, “sim mas qual é a pergunta?”. É este senhor o real espírito do “PAFismo” e do “SICismo”.

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  4. nunca passou de um orelhudo fiel a Passos Coelho e ao seu governo, mas eu gosto mais dos ca~es da Serra da Estrela esse sim são confiaveis.. ele não, neofacista da trampa

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  5. Acho que um jornalista deveria ser neutro pelo menos não se manifestar embora saibamos que deve ter as suas preferências senhores jornalistas cuidado estão a cair no ridículo e o povo não gosta disso obrigado

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  6. Mais palavras para k? É um medíocre econmista, que procura elevar=se ao serviço de interesses obscuros, numa palavra. OPORTUNISTA!!!

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  7. Mas alguém sabe qual a sua formação académica?
    Do modo como fala, acho que deve ser doutorado em várias áreas científicas.
    Se me permitem façam como eu há já algum tempo. Não vejam o programa.

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  8. Concordo com praticamente tudo o que se escreve a propósito de jgf! Sempre achei este “expert” como um vendido a uma parte do mundo empresarial.
    Mas dizer-se que Paulo Morais era um candidato de 2a é que NÃO! Aluta contra a corrupção é muito incómoda principalmente para umacerta comunicação social!!!

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  9. Em tempos pensei que JGF era economista por dar palpites com assiduidade nesta área! Depois concluí que as suas avaliações estavam altamente comprometidas com o poder da direita ao defender interesses puramente neo-liberais, onde o capital era sempre encarado como prioridade cega!!! Nunca mais o escutei! Eliminei-o como jornalista porque estava a prestar um mau serviço à informação e deixei de o ouvir! Jornalistas comprometidos, corruptos, deveriam perder a carteira profissional e ir lavar pratos ou servir cafés!!!

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  10. Não esquecer que é a SIC que contrata e paga a todos estes “jornalistas” e comentadores. Tal como o Expresso, a SIC tem sido um meio de combate e promoção dos grandes interesses que vivem à custa do Estado, melhor; de todos nós. para se dar ares, tem alguns alguns comentadores de esquerda que fazem o papel de “idiotas úteis”.

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  11. Este JGF ,é o expoente máximo do lambebotas que vive das migalhas que caem da mesa dos grandes interesses.Este tipo de sabujos seriam resiveis se não se comportassem como traidores do interesse nacional .Tenho esperanç que um dia possam ser julgados pelos crimes que cometeram …

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  12. Eu que até considero a S I C uma estação seria de televisão custa-me acreditar como dá cobertura a um individo como josé gomes ferreira tudo em letra pequena pois não merece qualquer creblidade

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  13. Nos últimos anos não houve investimento estrangeiro, houve sim a venda ao “desbarato” de empresas públicas, por exemplo: uma das “joias da coroa”, a REN.

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  14. O JGF é o uma espécie do “sabe tudo”, isto é, uma enciclopédia onde esclarecer toda e qq dúvida. Hoje, não obstante defender o inquérito parlamentar ao passado de gestão na CGD, disse que os todos os disparates na instituição tem o rosto da gestão de Carlos Santos Ferreira e do actual presidente da Associação Portuguesa de Bancos, que, embora do PSD, foi Presidente da Caixa nos Governos de Sócrates. Com esta ‘sagesse’ do JGF, porquê uma nova comissão parlamentar? Perguntem-lhe e ele responde.
    Já agora, uma pergunta para esse senhor: que é feito do dinheiro que o governo do seu protegido, o Sr. de Massamá, da venda aos chineses dos seguros da Fidelidade? Esperemos, ele sabe e vai responder!..

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  15. Só temo que ele não leia todos estes estados de alma, porque se ler vai ter vergonha do que anda a fazer…

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  16. JGF não vai ler estes comentários…porque nem ler sabe.
    Só sabe soletrar. E soletra bem – T…A…C…O!

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  17. Não me parece que seja um vendido…. é um COMPRADO…..vendidos eram e são ainda os escravos, coitados deles, os comprados vão metendo dinheiro ao bolso à medida que prestam os servicinhos!

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  18. Perante todos estes comentários, resta-me assinar. Só é lamentável que após quarenta e dois anos os portugueses continuem tão incautos.Comprar expresso e outro tipo de comunicação deste “poderoso” patrão do país, penso que já é algo para o penalizar. Não podemos esquecer “não há almoços grátis”.

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  19. E o triunfo da MECIOCRIDADE. A grande vitória do desinvestimento na educação.Para os mais distraidos, é só pensar: quais são os “jornais” com mais vendas e os canais de TV com mais audiência?

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